Até onde jogos fazem mal?

Até onde jogos fazem mal?

Um assunto que tem sido extremamente discutido nos últimos anos é a influência dos jogos violentos ou não nos jovens. A discussão em geral se baseia na falsa impressão que as pessoas têm de que jogos violentos geram jovens violentos. Pessoalmente, sempre vi jogos violentos como uma forma de extravasar a energia sem prejudicar ninguém.

Pensando nisso, resolvi pesquisar um pouco o assunto e encontrei dois trabalhos de pesquisa bem interessantes e que retratam o tema perfeitamente. O primeiro deles foi escrito por Lynn Alves e seu resumo já nos dá uma boa noção do resultado de sua pesquisa:

O artigo apresenta os resultados da tese de doutorado Game over – jogos eletrônicos e violência, apontando que os games podem se constituir em espaços de aprendizagem e ressignificação de desejos, atualizando-os, sem necessariamente levar os jogadores a comportamentos e atitudes hediondas e socialmente inaceitáveis.
Dentro desta perspectiva, o trabalho enfatiza que é fundamental analisar a violência mediante os aspectos sociais, econômicos, culturais, afetivos, etc, já que este fenômeno se constitui em uma linguagem que o sujeito utiliza para dizer algo. A investigação conclui que os jogos eletrônicos e de RPG devem ser explorados principalmente nos ambientes escolares, já que possibilitam a construção de conceitos vinculados aos aspectos sociais, cognitivos, afetivos e culturais. E também, que os jogos eletrônicos de diferentes narrativas e conteúdos atuam na Zona de Desenvolvimento Proximal dos sujeitos, de forma lúdica, prazerosa e atrativa.

O outro, de Filomena Maria G. S. C. Moita, apresenta uma pesquisa que abrange Brasil e Portugal e uma frase dele me chamou bastante atenção:

O estudo revelou que os games, enquanto espaços de escolhas mais espontâneas, de lazer, de ser e de currículo não impositivo, conseguem esclarecer melhor as áreas de interesse e de aprendizagem dos jovens.

Tendo esses dois trabalhos como base, algumas perguntas interessantes surgem:

– Porque a sociedade demoniza tanto os jogos de computador?

Não creio realmente que seja culpa da sociedade “pessoasâ€? e sim da sociedade “mídiaâ€?. Diariamente, vemos noticias de atos violentos por parte de jovens que tiveram uma criação normal. Isso assusta e muito, então buscamos culpados. Já passamos pela fase em que os músicos eram os bodes expiatórios. Quem não se lembra da época em que o Planet Hemp era preso por apologia ao consumo de drogas, ou o Marylin Manson culpado por um suicídio? Esses culpados não surgem do nada, eles são impostos pela mídia de grande alcance, como a TV e os jornais. O mesmo agora tem acontecido com jogos, se um garoto que já jogou Counter Strike assassina a sangue fio mais de 25 pessoas em sua universidade, a culpa logo recai sobre os jogos e não sobre colegas extremamente violentos, que perturbavam sua paz e integridade física e moral diariamente. A corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

– De passatempo saudável ele pode se tornar um vício?

Definitivamente ele pode se tornar um vicio, assim como qualquer outro hábito que venha a se encaixar em nossa rotina. É importante lembrar que, higiene e obsessão por limpeza são duas coisas completamente diferentes.
Pensando nisso, grande parte das lan-houses (definindo como lan-house somente aquelas legalizadas, ou seja, com alvará de funcionamento e não aquelas piratas que pipocam por aí e chegam ao absurdo de vender bebida alcoólica para menores) dispõe de mecanismos para os pais e os próprios jogadores evitarem o excesso. Um dos mais simples é bloqueio completo da conta por prazo determinado, durante uma semana de provas por exemplo. Mas isto tudo requer uma atitude pró-ativa do jogador ou de seus pais (no caso de menores).

-Quem pode ser culpado pelo vicio?

Podemos apontar diversos culpados, a mídia pela propaganda em excesso, as lan-houses piratas que não se importam com seus clientes, os pais que não ficam atentos aos hábitos dos filhos e principalmente os próprios jogadores.

Como impedir este vício?

A melhor forma é evitar que se torne um vício, estipulando previamente horários e limites para este hobby. No caso dos já viciados, a abstinência por um período de tempo pode ser uma boa forma de voltar a controlá-lo também. Você também pode arrumar outra atividade para se distrair, esportes e passeios são ótimos e ajudam a refrescar a mente e descansar os olhos de horas na frente do monitor.

Resumindo, jogos fazem bem aos jovens, desde que sejam respeitados limites óbvios. Não creio que caiba a órgãos públicos (juizado de menores, assembléia legislativa e afins) o dever nem o direito de definir o que é certo e errado neste ponto. Cabe sim a eles definir indicações de faixa etária para os jogos e, aos pais (no caso de menores), definir o tempo e o direito de se jogar ou não. Qualquer coisa a mais vai me cheirar a perseguição desnecessária. Acho que temos mentalidade suficiente para acabar com essa caça às bruxas que vemos diariamente contra jogos e lan-houses.

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74 comentários

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  1. po q show os jogos sao d + vc q criou o saite esta de parabens pooooooo continue o seu bom trabalho

  2. eeu axo que devia ser mais facil agente teer o acesso aos jogos !!

  3. acho que voce expôs muito a sua opiniao…
    mas, eu acredito que os jogos façam tanto mal quanto bem, depende da pessoa
    se a pessoa em questao tem tendencia ao “terrorismo” ela vai jogar e vai “pirar” e vai ficar mais “terrorista”, mas se ela é tranquila, vai jogar e só se distrair, acredito que o jogo faça isso

  4. pow o mal e que eu quero joga cs mais eu não sei cologa no meu computador.